quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Contextos


Tinham direções opostas que em breve encontro, num cruzamento ilógico, se confirmaram como uma única direção. Quase que por acidente... numa obra fina, e talvez obra-prima, do tempo e do espaço como os mais falsos protagonistas. 
"O tempo e o espaço não existem" - afirmavam em suas evidentes arrogâncias e inseguranças do primeiro encontro...

As demandas de suas camadas mais evidentes, na parte de suas identidades cheias de comprometimento com a vida, de maneira inglória,  pulsavam pelo amor como princípio de não dominação, mas isso apenas quando, fundamentalmente, a gramática do inconsciente os mantinha livres do superego das doutrinas oficiais. 
"Estamos em permanente desconstrução" - o que seria uma mentirosa afirmação não fosse um olhar muito atento a considerar passos lentos.

Talvez o destino gargalhasse deles, o desencontro de uma década que guardou um encontro avassalador. Os olhares fascinados, se fitavam e se perdiam no infinito reflexo dos seus abismos, talvez transbordantes de tudo, talvez apenas cheios de nada, mas firmando-se como uma força capaz de submeter as naturezas alheias.
"Em você... eu me perco e me encontro" - diziam em êxtase, sem muita explicação!

No entanto, se encontravam num complexo trânsito de difícil fazer e dizer, eram limitadas suas capacidades de adaptação e construções de consensos imediatamente eficazes, diálogos plenos diante de suas relativas maturidades. Dificuldades estas não somente no exercício a dois, mas principalmente, diante do enfrentamento individual de cada uma de suas identidades idiossincráticas de antemão. 
"A vida não é linear e nem estática" - matéria prima de autoperdão...

Fases de declínio, energias em esgotamento faziam com que na distância degustassem boas doses de agonia, como também grandes parcelas de memórias do prazer e do calor. Memórias estas, que eram parte das causas de êxito de tão estranha interação, pois estavam acariciadas por suas relações contraditórias, embora não sem dor, com o poder e com o amor. 
"Ah o amor... tudo era sobre o amor!" - de novo e de novo...

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